sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fobias: você tem medo de quê?


Você alguma vez já passou por uma situação em que sentiu um medo descontrolado? Já entrou em um elevador todo de vidro, daqueles que dá para ver o chão se distanciando à medida em que chega ao andar desejado? O que você sentiu e o que fez? Passou a evitar entrar novamente no elevador, preferindo subir incontáveis lances de escada? Entenda melhor esse comportamento.

O que é uma fobia?

Também conhecida como fobia específica, é um medo intenso que se repete toda vez em que o sujeito é exposto a algum objeto, animal ou situação. Esse contato provoca forte ansiedade e sensação de mal-estar.

A reação da pessoa com fobia é muito maior do que a ameaça real que uma determinada coisa ou situação poderia causar. 

Quando o objeto fóbico é afastado, a ansiedade passa. Isso faz com que a pessoa passe a evitar o objeto ou a situação que dispara a fobia.

Quais são as causas da fobia?

Em geral não existe um motivo lógico e concreto que explique a causa de uma fobia. Também não há histórico de trauma relacionado ao objeto ou situação fóbica no passado. Nesse caso, estaríamos falando de transtorno de estresse pós-traumático, e não de fobia. Trata-se, portanto, de um medo irracional, sem um motivo claro que o explique.

Quais são os desencadeadores mais comuns de fobias?

Barata, aranha, lesma, aves, cachorro, sangue, mar, tempestades, trovões, altura, elevador e avião.

Como saber se devo procurar um psicólogo?

Quando a fobia interferir em sua vida, atrapalhando sua rotina, seu trabalho e seus relacionamentos.

Exemplo: 

Um executivo, cujo trabalho demande frequentes viagens de avião. A companhia aérea TAP, por exemplo, oferece o programa terapêutico Ganhar Asas, destinado a combater o medo de voar. 

Entretanto, vale lembrar que a maioria das fobias não prejudica o cotidiano das pessoas.

Como funciona a psicoterapia?

Há várias abordagens e técnicas para tratar fobias. Dentre elas, a terapia congnitivo-comportamental costuma ser bastante eficaz. 

A seguir veja alguns exemplos de estratégias utilizadas durante a terapia:

  • Técnicas de relaxamento e respiração – servem para treinar a pessoa a controlar sua ansiedade por meio da respiração e ensiná-la a relaxar a musculatura corporal.

  • Exercícios de visualização mental da situação causadora da fobia e substituição, aos poucos, por sensações de relaxamento e tranquilidade.

  • Exposição gradual, na vida real, à situação que deflagra a fobia até que a pessoa aprenda a controlar, sozinha, seu medo e suas reações.


Em alguns casos, o tratamento psicológico pode ser combinado com medicamentos para diminuir a ansiedade.

Esses medicamentos ajudam a aliviar os sintomas, permitindo que o sujeito não abandone a terapia e obtenha resultados mais eficazes.

Concluindo, é importante lembrar que o médico psiquiatra é o profissional que deve ser consultado para avaliar e, caso seja necessário, prescrever o medicamento adequado.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A ética nos processos seletivos


Quando uma empresa busca um talento no mercado de trabalho para preencher determinada vaga, geralmente conta com o setor de recursos humanos da própria empresa ou recorre à contratação dos serviços de uma empresa especializada para selecionar um profissional cujo perfil esteja de acordo com a vaga disponível. A partir daí inicia-se o processo de recrutamento e seleção.

O recrutamento pode ser realizado através de contatos com o mercado interno, com a própria empresa ou com o mercado externo. As fontes de contato podem contemplar a intranet, os quadros de aviso, os anúncios na imprensa e a internet, através de redes sociais especializadas como o LinkedIn, por exemplo. Terminado o processo de recrutamento dos candidatos com o perfil desejado, inicia-se a seleção.

A seleção é feita com base em ferramentas específicas de avaliação, como entrevistas, dinâmicas de grupo, e testes específicos, por exemplo. Essas ferramentas são recursos que servirão de guia para a seleção do candidato que melhor se adequar à vaga ofertada. Vale ressaltar que a escolha final do candidato compete à empresa solicitante, ou seja, é ela quem vai decidir se deseja ou não trabalhar com o candidato selecionado.

O processo de recrutamento e seleção será consolidado ao integrar três dimensões, a saber:

  • Características individuais do candidato – competências, expectativas, desejo de pertencer à organização e projeto de vida;

  • Características do trabalho – natureza do trabalho a ser executado segundo a vaga ofertada;

  • Características da situação do trabalho – refere-se aos valores da empresa, à sua missão, cultura, política, ambiente, remuneração, localização, plano de capacitação, etc.

Um processo de recrutamento e seleção eficaz não termina com a identificação e contratação de um talento. Ele visa a permanência desse profissional adaptado à cultura organizacional, motivado e comprometido com os resultados da empresa.

Para tanto, o selecionador precisa estar atento às tendências mundiais de mercado, além de saber lidar com a diversidade, ser um bom ouvinte e ter a sensibilidade para ver o mundo através da perspectiva do outro. O bom selecionador precisa, acima de tudo, gostar de lidar com pessoas, pois deve saber ouvir, perguntar e interessar-se pelo outro de forma genuína, e não superficialmente. 
É importante considerar que a pessoa que busca uma colocação no mercado de trabalho é um profissional que visa contribuir potencialmente com a empresa para a qual se candidata, através de seu conhecimento técnico e sua experiência profissional. Dessa forma, devemos jogar por terra a ideia pré-concebida de que o candidato é um pobre desempregado que implora por uma oportunidade. A quebra desse paradigma remodela a forma como o candidato deve ser visto tanto pelos recrutadores quanto pelo mercado de trabalho propriamente dito.
O selecionador dever ter em mente que o profissional que busca colocação no mercado é, acima de tudo, um ser humano. E como todo ser humano, ele possui expectativas, receios e senso de responsabilidade tanto em relação à sua própria família quanto em relação à sociedade. Mediante isso, a abordagem deve ser respeitosa e humanizada, até porque qualquer um de nós um dia pode estar na posição de buscar por uma recolocação no mercado de trabalho. Essa situação pode remeter o sujeito aos mais diversos sentimentos, como o de rejeição e baixa autoestima; daí a necessidade de uma abordagem respeitosa e humanizada sem, no entanto, perder o foco e o propósito da seleção.
Quando a seleção é realizada por um psicólogo, ele pode utilizar ferramentas de uso exclusivo desse profissional, como testes psicológicos, por exemplo. Devem ser evitadas perguntas de foro íntimo e que fujam ao propósito da entrevista. O respeito à privacidade é uma questão ética fundamental. Ao término do processo, o psicólogo apresenta suas conclusões através da devolutiva. A devolutiva é o parecer final do avaliador com relação ao processo seletivo como um todo, ou seja, é a interpretação da coleta de dados realizada através de métodos, instrumentos e técnicas de avaliação. Ela pode ser feita verbalmente ou por escrito.
É possível que ao final do processo seletivo, o candidato peça para ter acesso ao resultado de sua avaliação, independentemente de ter sido escolhido ou não para preencher a vaga. O Código de Ética do Psicólogo prevê que é dever do psicólogo fazer a devolutiva, ou seja, apresentar ao candidato o resultado de sua própria avaliação caso ele a solicite.
Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:

g) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos, transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário;

h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho;

Quando a informação sobre o candidato for solicitada pela empresa contratante, cabe ao psicólogo informar exclusivamente elementos relacionados ao propósito da contratação, preservando dados de foro íntimo que tenham sido identificados na avaliação, mas que não competem à empresa contratante. A privacidade do candidato deve ser preservada acima de tudo.

Por fim, a ética e o respeito pelo candidato nos processos de recrutamento e seleção são fundamentais e dizem muito sobre a idoneidade das empresas contratantes. Não apenas a empresa avalia os candidatos, mas os candidatos também avaliam a empresa. Empresas que realizam processos seletivos longos, cansativos, sem objetividade e que não dão feedback ao candidato, devem ser questionadas se são, de fato, o melhor lugar para se trabalhar. O candidato deve ser tratado com respeito, profissionalismo e transparência, além de ser visto como um potencial talento que irá contribuir para o crescimento da organização como um todo.

sábado, 12 de outubro de 2013


Valorize a qualidade e não a quantidade de tempo que você dedica a seu filho. Esteja presente por inteiro, não pela metade. Feliz Dia da Criança!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Como lidar com o estresse nosso de cada dia?




Congestionamentos, contas a pagar, chefe difícil, discussões de relacionamento com o parceiro (a), bebê chorando, ônibus lotado, filas intermináveis no banco, no supermercado e até na porta do cinema. É inevitável lidar com situações estressantes no cotidiano. Às vezes dá vontade de sair correndo e simplesmente desaparecer. Como sabemos, essa seria uma solução fantasiosa, improvável e ineficaz, pois tensões podem aparecer onde quer você esteja. O que fazer então para lidar com aquele dia de fúria?

O estresse não existe por acaso. Trata-se de um mecanismo de defesa natural desenvolvido pelos nossos ancestrais, em tempos remotos, com a finalidade de evitar ameaças e ataques de predadores. Ao identificar situações de perigo iminente o corpo, em busca de autopreservação, reage automaticamente preparando-se para lutar ou fugir. Nessa hora algumas reações físicas podem ser identificadas:

  • Aumento dos batimentos cardíacos
  • Respiração ofegante
  • Dilatação das pupilas
  • Tensão muscular
  • Sudorese
  • Sensação de formigamento 

Nos dias de hoje a probabilidade de ser devorado por um predador é bastante remota. Porém, em nosso cotidiano estamos expostos a outros tipos de ameaça que também podem comprometer nossa saúde e integridade. Quando o estado de estresse torna-se constante ocorre um esgotamento do organismo, já que o mesmo não foi feito para ficar em permanente estado de alerta. Essa tensão constante é chamada de estresse crônico e favorece o aparecimento de diversas doenças.

O estresse crônico interfere negativamente sobre o corpo e a mente e quanto maior for o tempo de exposição a ele, piores serão seus efeitos. Mas então como podemos identificar esses efeitos negativos? 

O estresse crônico pode causar:

  • Dificuldade de concentração
  • Insônia
  • Cansaço constante
  • Tensão muscular
  • Desânimo
  • Irritabilidade
  • Ataques de fúria por pequenos motivos
  • Dores de cabeça
  • Propensão ao fumo, álcool e outras drogas
  • Queda da imunidade
  • Problemas gastrointestinais (gastrite)

Vale acrescentar que o uso do cigarro, do álcool e outras drogas para aliviar a tensão pode ser catastrófico. Além de comprometer a saúde aumentando o risco de doenças, as drogas possuem efeito paliativo temporário, pois terminada sua ação, a busca pela renovação da sensação de bem-estar eleva ainda mais os níveis de estresse. Nessas circunstâncias, o manejo do estresse torna-se ainda mais difícil.

Portanto fique atento, pois o sinal de alerta aparece quando o estresse começa a afetar as atividades diárias, atrapalhando o curso normal da vida. Além disso, a pessoa estressada tende a ver os desafios do cotidiano como sendo piores do que na realidade são. Isso faz com que tenha reações exacerbadas e se indisponha com os outros com maior facilidade. Por isso é comum testemunharmos brigas no trânsito, em filas e em outras situações naturalmente estressantes da vida.



O que fazer então para lidar com o estresse? Antes de mais nada é preciso aceitá-lo. Como vimos inicialmente, o estresse é um mecanismo natural de autodefesa do nosso organismo, de modo que não podemos – e não devemos – eliminá-lo completamente. Por outro lado, podemos manejá-lo para que possamos conviver com ele em níveis mais ajustados.

Primeiramente cuide de sua saúde, procurando um médico para fazer exame de check-up anual. Além disso busque um estilo de vida mais saudável, começando pela alimentação. Alimentar-se bem não significa torturar-se abolindo tudo que é gostoso – até porque isso gera ainda mais estresse – mas procurar equilíbrio. A orientação de um profissional qualificado, como o nutricionista, pode ser de grande valia. 

Outra dica importante é começar o dia organizando sua agenda. Liste as tarefas, ordenando-as de acordo com as prioridades. Vá riscando os itens conforme for concluindo as etapas. Aprenda a delegar tarefas e não hesite em eliminar aquelas que não são absolutamente essenciais. A organização faz com que seu trabalho renda mais e apresente melhores resultados.



Procure identificar as situações causadoras de estresse. Quando sentir-se estressado, escreva o que desencadeou, seus pensamentos na hora e seus sentimentos em relação a isso. Uma vez identificada a causa, escreva o que você poderia ter feito para evitar ou minimizar o gatilho do estresse. Ter clareza do que te deixa estressado é crucial para desenvolver uma estratégia eficaz para a solução do problema. Peça ajuda quando julgar necessário. 

Quando você ficar com muita raiva, seja no trabalho, com seu filho ou com estranhos, o melhor a fazer é afastar-se. Respire fundo, beba água, molhe o rosto, alongue o corpo e só retorne quando estiver mais calmo. Evite agir por impulso, de maneira impensada. Grandes conflitos e até mesmo tragédias podem ser evitadas dessa forma.

Tenha um hobby, ou seja, uma ocupação que te distraia e ajude a relaxar. Jogar bola com os amigos, costurar, plantar, pintar quadros, cozinhar, ler, meditar, brincar com um animal de estimação, dedicar-se a uma causa, etc. Escolha a sua.


Pratique uma atividade física que lhe dê prazer. Não adianta ir para a academia como se fosse um boi indo para o matadouro. Encontre uma atividade da qual goste: dança, esportes, yoga, pilates, etc. Há muitas opções e uma delas certamente terá seu estilo.


Essas são apenas algumas sugestões para viver em um mundo estressante sem, no entanto, sucumbir às demandas do cotidiano. Desenvolva suas próprias estratégias, pois você é capaz. Olhe para dentro de si mesmo, procure o que faz com que você sinta-se bem e pratique! Não dá para evitar o estresse, mas é possível lidar com ele de maneira inteligente e produtiva.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dependência afetiva nas relações conjugais


É fácil confundir amor próprio com egoísmo. Às vezes a pessoa que demonstra gostar de si mesma pode ser mal-interpretada pela sociedade e até discriminada, passando por narcisista e egocêntrica. Quando trata-se de relacionamentos conjugais, esse equívoco pode levar à crença de que uma boa relação é aquela em que o casal se mistura de tal maneira que se forma um todo indivisível.

Porém, muitos relacionamentos fracassam exatamente por causa da dependência afetiva construída na relação quando o casal, ao invés de perceber-se como dois indivíduos unidos em uma relação, torna-se uma unidade simbiótica.

Pessoas que vinculam-se ao parceiro ou parceira de maneira simbiótica, tendem a possuir Personalidade Dependente. Em resumo, apresentam as seguintes características :

  • Tendência a transferir a responsabilidade para o outro;
  • Medo de ser abandonado;
  • Percepção de si mesmo como sendo fraco e incompetente;
  • Submissão;
  • Dificuldade de discordar dos outros;
  • Permitem que outras pessoas tomem decisões em seu lugar;
  • Fazem qualquer coisa para obter carinho e aceitação.

Em uma relação simbiótica, ambas as partes saem perdendo: o dependente, por não conseguir seguir sua vida adiante de maneira autônoma; o cuidador, por carregar o fardo da responsabilidade pela felicidade e bem-estar do parceiro. No final das contas ninguém fica feliz e a relação muitas vezes se retroalimenta através da acomodação, gerando um círculo vicioso.

É nesse cenário que se propõe a substituição da ideia de fusão afetiva pela ideia de fissão afetiva, ou seja, pela estimulação da autonomia entre os cônjuges. Isso não significa que o casamento tenha que acabar, e sim que é possível - e desejável - viver livre em parceria. Para isso é preciso reestruturar a forma de enxergar o mundo, já que as pessoas costumam acomodar-se por medo do novo, do desconhecido. Estar aberto a mudanças significa permitir a si mesmo novas experiências de vida e novas maneiras de lidar com o parceiro sem depender dele (a) afetivamente. Erros e acertos fazem parte da vida.

A pessoa dependente deve dar a chance de mostrar a si mesma que é capaz de pequenas realizações, dia após dia, de maneira particular, autônoma e bem-sucedida. Para isso, deve colocar-se em situações desafiadoras de maneira gradativa. Assim ela poderá, aos poucos, comemorar pequenos feitos e mostrar a si mesma – e ao outro também – que é possível ser feliz sem que o parceiro (a) seja uma condição fundamental para isso.

No final, a pessoa pode surpreender a si mesma ao dar-se conta de que possui uma grande capacidade de superação. Essa constatação gera muita alegria e sentimento de realização pessoal.

Na relação conjugal saudável, ao invés de se misturar, o casal deve contribuir para que o parceiro possa tornar-se um indivíduo melhor e mais feliz em sua singularidade. Com vontade, dedicação e uma boa dose de coragem é possível harmonizar o “eu” e o “nós” sem que, para isso, seja preciso estar só. Não é nada fácil, mas vale a pena tentar.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A armadilha da perfeição


A conscientização do fato de que nossa vida não se parece - nem de longe - com a da família do comercial daquela famosa marca de margarina pode ser frustrante. Será que tudo na vida tem que ser perfeito? Por que perdemos tanto tempo achando que a vida do vizinho é sempre melhor do que a nossa? Será que é mesmo?

A cobrança social, intensamente reforçada pela mídia, é cruel. Precisamos ser jovens para sempre; ser atletas sexuais; ter uma carreira bem-sucedida; o carro do ano; um chefe dos sonhos; morar no lugar perfeito; nunca ficar triste; ter filhos perfeitos, educados e cultos; vestir a roupa da moda, caber numa calça tamanho 34, estar sempre de bom humor, etc. A lista é interminável. Será que já paramos para pensar na quantidade de energia que gastamos para manter – ou pelo menos ter a ilusão de manter – essas exigências em dia?

Às vezes nos tornamos nossos próprios algozes sem nos darmos conta disso. A cobrança excessiva internalizada faz com que passemos a correr atrás de um ideal nem sempre, de fato, alcançável. E o pior é que sofremos por isso. E muito! Algumas pessoas chegam a tomar atitudes extremas contra si mesmas e contra os outros. E no final das contas, todos saem perdendo.

Portanto, aceitemos a nossa humanidade. Ficar triste faz parte da vida. Envelhecer faz parte da vida. Vivenciar perdas também. Ter altos e baixos no trabalho, nas finanças e no casamento também faz parte da vida. Não querer ou não poder usar a roupa da moda não vai fazer de você uma pessoa pior e nem menos interessante do que as demais. Não é nada fácil lidar com os desafios que a vida e a sociedade nos impõem, mas somos capazes de superar os obstáculos; é preciso confiar na própria capacidade e contar com ajuda do próximo quando necessário. É um exercício diário.

Por outro lado, é importante procurar fazer, com dedicação, aquilo que julgamos ser realmente importante e nos esforçarmos para fazer o melhor; porém é preciso buscar um equilíbrio para não virarmos escravos dos ideais de perfeição. Vale frisar que buscar excelência no que fazemos é diferente de correr obsessivamente atrás de um ideal de perfeição. Perseverança não é obsessão! A perseverança abre portas, ao passo que a obsessão pode nos levar ao abismo. Pense nisso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Você já ouviu falar em Pet Terapia?



Desde sempre animais como cães e gatos convivem em harmonia com o homem. Hoje eles estão cada vez mais próximos e fazem parte de muitas famílias ao redor do mundo. Histórias de companheirismo e dedicação de ambas as partes não faltam. 

Este ano o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, passou a permitir a visita de animais de estimação a pacientes internados. No entanto, a visita  deve ser previamente autorizada pelo médico responsável pelo tratamento do paciente. Além disso o animal é aceito desde que se enquadre nas condições determinadas pelo hospital. Você deve estar se perguntando: qual é o objetivo de tudo isso?

A Pet Terapia - ou Terapia Assistida por Animais (TAA) é um método no qual animais como cães, gatos, cavalos, coelhos e aves, por exemplo, atuam como recurso terapêutico utilizado por um profissional qualificado - geralmente um psicólogo ou pedagogo. 

O objetivo da Pet Terapia é atuar na melhoria emocional, social, psicomotora, cognitiva e motivacional de pessoas de todas as idades. Quem pode se beneficiar?


  • Pacientes internados
  • Portadores de necessidades especiais
  • Crianças com problemas de aprendizagem
  • Crianças e jovens com dificuldades de limites
  • Portadores de transtornos psiquiátricos
  • Idosos
  • Portadores de transtornos neurológicos
  • Pessoas em conflito com a lei

Apesar de ser divulgado com maior amplitude apenas recentemente, o uso de animais como recurso terapêutico já existe há bastante tempo. O próprio Freud foi um dos pioneiros da Pet Terapia. Segundo ele a presença de sua cadela Jo-Fi ajudava a acalmar os pacientes, e por isso ele costumava deixá-la por perto durante as sessões. 


 Dr. Sigmund Freud e Jo-Fi 

No Brasil, entre 1950 e 60, a psiquiatra Nise da Silveira utilizou a Pet Terapia no tratamento de pacientes internados com esquizofrenia. Ela chamava os animais de "co-terapeutas" e afirmava que eles eram uma presença não-invasiva com a qual os pacientes vinculavam-se com mais facilidade. Dessa forma os animais atuavam como uma espécie de ponte para o mundo externo, um porto seguro. Em geral o paciente passava a cuidar do animal, e para isso precisava estabelecer um vínculo afetivo com ele. Ao assumir a responsabilidade, o paciente percebia que se era capaz de zelar pelo bem-estar do bicho, também seria capaz de cuidar de si mesmo. Isso o ajudava a melhorar sua autoestima e autoconfiança de tal maneira que ele ficava mais motivado e aderia melhor ao tratamento, evitando recidivas. 

Dra. Nise da Silveira e Carlinhos (em homenagem a Carl Jung, seu mentor) 

Atualmente há instituições brasileiras que dedicam-se a ajudar pessoas através do recurso da Pet Terapia com muito sucesso. É o exemplo tanto do IBETAA (Instituto Brasileiro de Educação e Terapia Assistida por Animais) quanto do Projeto Pelo Próximo. 

No Brasil, o IBETAA é um centro de referência de produção e disseminação de conhecimento científico nas áreas da educação e da terapia assistida por animais. Sua proposta é oferecer à sociedade acesso a tratamentos psicológico, pedagógico, fonoaudiológico, psiquiátrico e fisioterapêutico por intermédio de técnicas educacionais e da Pet Terapia. O trabalho é realizado em parceria com centros especializados e equipes de profissionais de diferentes formações com foco nas áreas da educação e da saúde humana.


O Projeto Pelo Próximo é formado por uma equipe interdisciplinar de profissionais e também por voluntários donos de animais de estimação. No Pelo Próximo qualquer pessoa pode ser dona de um pet terapeuta, desde que o animal seja dócil e sociável. Além disso ele precisa ser previamente aprovado numa avaliação comportamental realizada pelos profissionais do Projeto. Os pets selecionados são treinados e supervisionados antes de iniciar o trabalho. O grupo de pet terapeutas visita regularmente casas de repouso, abrigos e instituições que cuidam pessoas com necessidades especiais. 

Concluindo, vale mencionar que na Pet Terapia os animais são treinados e tratados com muito carinho e respeito, numa relação em que tanto humanos quanto pets só têm a ganhar.   

Kion, o cão terapeuta do IBETAA